Capítulo 17 – Metodologia de Implementação
Base de Conhecimento MASTERINSOFT®
17.1. Introdução – A importância de uma metodologia
A MASTERINSOFT® é uma plataforma altamente configurável, relacional e orientada a processos. Isso significa que pode adaptar-se a organizações muito diferentes, mas também exige uma implementação bem conduzida.
Uma implementação sem metodologia pode levar a três problemas principais:
- Configurar o sistema sem compreender verdadeiramente o negócio.
- Replicar maus processos existentes.
- Criar dados, entidades e fluxos sem coerência futura.
Por isso, a metodologia de implementação é essencial. Ela garante que todos os Master Partners seguem uma abordagem comum, mantendo qualidade, consistência e capacidade de evolução.
A implementação não deve começar pela configuração da plataforma. Deve começar pela compreensão do cliente.
17.2. Visão geral das fases
A implementação deve seguir uma sequência lógica:
- Levantamento de requisitos.
- Diagnóstico dos processos atuais.
- Modelação dos processos futuros.
- Desenho do modelo de dados.
- Definição de permissões e perfis.
- Configuração da plataforma.
- Configuração do BPM.
- Configuração de dashboards.
- Configuração documental.
- Migração ou carregamento inicial de dados.
- Testes e validação.
- Formação.
- Go-live.
- Acompanhamento e melhoria contínua.
Estas fases podem ser adaptadas à dimensão do cliente, mas não devem ser ignoradas.
17.3. Fase 1 – Levantamento de requisitos
O levantamento de requisitos é a fase onde o Master Partner compreende a realidade da organização.
O objetivo não é perguntar ao cliente “que campos quer no sistema”. O objetivo é perceber como a empresa funciona.
Devem ser analisados:
- Quem são os utilizadores.
- Que departamentos existem.
- Que processos são executados.
- Que documentos são usados.
- Que indicadores são necessários.
- Que problemas existem atualmente.
- Que sistemas ou ficheiros são utilizados.
Exemplo:
Se o cliente diz “preciso de gerir projetos”, o Master Partner deve aprofundar:
- Que tipos de projetos existem?
- Quem aprova os projetos?
- Existem orçamentos?
- Existem horas associadas?
- Há compras ligadas aos projetos?
- Há relatórios obrigatórios?
- Existem auditorias?
O entregável desta fase deve ser um documento de requisitos funcional, organizado por áreas: CRM, SRM, Projetos, RH, Património, Stock, Produção, BI e Documentação.
17.4. Fase 2 – Diagnóstico dos processos atuais
Depois de recolher requisitos, é necessário perceber como os processos funcionam hoje.
Esta fase permite identificar:
- Processos manuais.
- Duplicações de trabalho.
- Aprovações por email.
- Ficheiros Excel paralelos.
- Falhas de rastreabilidade.
- Pontos de bloqueio.
- Falta de indicadores.
O objetivo é perceber a diferença entre:
- Como o cliente acha que trabalha.
- Como o cliente realmente trabalha.
Muitas vezes, o processo formal é diferente do processo real. O Master Partner deve descobrir o processo real.
Exemplo:
O cliente pode dizer que “todas as compras são aprovadas”. Mas, na prática, algumas compras podem ser feitas por email, outras por telefone e outras sem registo prévio.
Esta fase permite identificar oportunidades de melhoria antes da configuração.
17.5. Fase 3 – Modelação dos processos futuros
Depois de compreender o processo atual, deve ser desenhado o processo futuro.
Aqui o Master Partner não deve apenas copiar o que existe. Deve melhorar.
Cada processo deve ser representado com:
- Início.
- Etapas.
- Responsáveis.
- Estados.
- Regras.
- Aprovações.
- Documentos associados.
- Resultado esperado.
Exemplo de processo de compra:
- Pedido de compra criado.
- Validação pelo gestor.
- Aprovação financeira.
- Seleção de fornecedor.
- Emissão de ordem de compra.
- Receção.
- Validação da fatura.
- Fecho.
Nesta fase, o Master Partner deve identificar onde o BPM será aplicado.
Perguntas essenciais:
- Que evento inicia o processo?
- Que condições determinam o próximo passo?
- Que ações devem ser automáticas?
- Quem deve ser notificado?
- Que dados devem ser obrigatórios?
17.6. Fase 4 – Desenho do modelo de dados
O modelo de dados é a base da implementação.
Nesta fase, define-se como a realidade do cliente será representada dentro da MASTERINSOFT®.
Devem ser definidas:
- Entidades.
- Campos.
- Relações.
- Estados.
- Campos obrigatórios.
- Campos calculados.
- Regras de validação.
Exemplo:
Para gerir projetos, podem ser necessárias entidades como:
- Projeto.
- Fase.
- Tarefa.
- Entregável.
- Timesheet.
- Rubrica orçamental.
- Despesa.
- Documento.
O erro mais comum é criar campos duplicados em várias entidades.
Exemplo errado:
Guardar o nome do cliente dentro de cada projeto como texto.
Exemplo correto:
Projeto ligado à entidade Conta/Cliente através de uma relação.
Este princípio é fundamental para manter a coerência do sistema.
17.7. Fase 5 – Definição de permissões e perfis
Antes de configurar o sistema, é necessário definir quem pode ver, editar, aprovar ou consultar informação.
A MASTERINSOFT® deve refletir a estrutura real da organização.
Devem ser definidos perfis como:
- Administrador.
- Gestor.
- Comercial.
- Técnico.
- Financeiro.
- Recursos Humanos.
- Auditor.
- Utilizador externo, se aplicável.
Cada perfil deve ter permissões sobre:
- Entidades.
- Campos.
- Documentos.
- Dashboards.
- Ações de BPM.
Exemplo:
Um colaborador pode registar tempos, mas não alterar o custo/hora.
Um auditor pode consultar documentos e histórico, mas não alterar registos.
Esta fase é crítica para garantir segurança, governança e conformidade.
17.8. Fase 6 – Configuração da plataforma
Só depois das fases anteriores é que se deve iniciar a configuração.
A configuração deve seguir o modelo desenhado.
Inclui:
- Criação de entidades.
- Criação de campos.
- Criação de relações.
- Configuração de estados.
- Definição de vistas/listagens.
- Configuração de formulários.
- Configuração de permissões.
A boa prática é configurar por blocos.
Exemplo:
- Primeiro CRM.
- Depois Projetos.
- Depois RH.
- Depois SRM.
- Depois integrações relacionais.
Cada bloco deve ser testado antes de avançar.
17.9. Fase 7 – Configuração do BPM
O BPM é o motor operacional da plataforma.
Nesta fase, os processos modelados anteriormente são traduzidos para fluxos reais dentro do sistema.
Cada workflow deve ter:
- Evento inicial.
- Condições.
- Etapas.
- Estados.
- Ações automáticas.
- Responsáveis.
- Notificações.
- Regras de exceção.
Exemplo:
Evento: oportunidade marcada como ganha.
Ações:
- Criar projeto.
- Associar cliente.
- Criar tarefas base.
- Notificar gestor de projeto.
- Gerar documento de início.
O BPM deve ser configurado com cuidado. Um processo mal configurado pode gerar tarefas erradas, notificações excessivas ou bloqueios operacionais.
17.10. Fase 8 – Configuração de dashboards e BI
Depois de configurar dados e processos, devem ser criados dashboards.
Os dashboards devem responder a perguntas de gestão.
Exemplos:
- Qual o estado das oportunidades?
- Qual a execução financeira dos projetos?
- Que compras estão pendentes?
- Qual a ocupação da equipa?
- Que stock está abaixo do mínimo?
- Qual a margem por cliente?
Os dashboards devem ser definidos por perfil.
Exemplo:
- Direção: visão global.
- Comercial: pipeline.
- Financeiro: custos e faturação.
- Operações: tarefas e produção.
- RH: disponibilidade e tempos.
Um dashboard não deve ser apenas bonito. Deve ser útil para decidir.
17.11. Fase 9 – Configuração documental
A geração documental é uma das capacidades mais diferenciadoras da MASTERINSOFT®.
Nesta fase, são configurados templates DOCX com variáveis.
Devem ser identificados documentos como:
- Propostas.
- Contratos.
- Relatórios de projeto.
- Ordens de compra.
- Relatórios de auditoria.
- Fichas técnicas.
- Documentos de produção.
Cada documento deve definir:
- Entidade de origem.
- Variáveis utilizadas.
- Tabelas dinâmicas.
- Condições.
- Momento de geração.
- Responsável pela validação.
Exemplo:
Um relatório de projeto pode incluir automaticamente:
- Nome do cliente.
- Nome do projeto.
- Tarefas concluídas.
- Horas registadas.
- Custos por rubrica.
- Documentos anexos.
17.12. Fase 10 – Migração ou carregamento inicial de dados
Nem sempre é necessário migrar tudo.
O Master Partner deve avaliar:
- Que dados são essenciais.
- Que dados estão atualizados.
- Que dados estão duplicados.
- Que dados devem ser limpos antes de importar.
Exemplos de dados iniciais:
- Clientes.
- Contactos.
- Produtos.
- Fornecedores.
- Colaboradores.
- Projetos em curso.
- Stock existente.
- Ativos patrimoniais.
A migração deve ser validada antes do go-live.
É preferível migrar menos dados, mas com qualidade, do que importar histórico desorganizado.
17.13. Fase 11 – Testes e validação
Os testes devem simular a realidade.
Não basta verificar se um campo grava corretamente.
É necessário testar fluxos completos.
Exemplos:
- Lead → oportunidade → proposta → projeto.
- Pedido de compra → aprovação → ordem de compra → stock.
- Projeto → tarefa → timesheet → custo.
- Encomenda → stock → produção → entrega.
- Compra de equipamento → património → manutenção.
Os testes devem envolver utilizadores reais.
Cada teste deve ter:
- Cenário.
- Resultado esperado.
- Resultado obtido.
- Correções necessárias.
- Validação final.
17.14. Fase 12 – Formação
A formação deve ser prática e orientada a funções.
Não deve ser uma apresentação genérica do sistema.
Cada utilizador deve aprender aquilo que vai usar.
Exemplos:
- Comercial: gerir leads, oportunidades e propostas.
- Gestor de projeto: acompanhar tarefas, custos e recursos.
- Colaborador: registar tempos e consultar tarefas.
- Financeiro: validar despesas e analisar custos.
- Direção: consultar dashboards.
A formação deve explicar não só “como clicar”, mas também “porquê”.
O utilizador deve compreender o processo.
17.15. Fase 13 – Go-live
O go-live é o momento em que o sistema passa a ser usado em produção.
Deve ser preparado com cuidado.
Antes do go-live, confirmar:
- Dados carregados.
- Utilizadores criados.
- Permissões validadas.
- Workflows testados.
- Documentos configurados.
- Dashboards disponíveis.
- Plano de suporte definido.
Durante os primeiros dias, é recomendável acompanhamento próximo.
O objetivo é corrigir rapidamente dúvidas, bloqueios ou ajustes necessários.
17.16. Fase 14 – Acompanhamento e melhoria contínua
A implementação não termina no go-live.
A MASTERINSOFT® é uma plataforma evolutiva.
Depois da entrada em produção, devem ser realizadas sessões de acompanhamento para avaliar:
- Utilização real.
- Dificuldades dos utilizadores.
- Processos que precisam de ajuste.
- Novos dashboards.
- Novos documentos.
- Novas automações.
Esta fase é fundamental para garantir que a plataforma continua alinhada com a organização.
17.17. Fatores críticos de sucesso
Uma implementação bem-sucedida depende de:
- Envolvimento da direção.
- Participação dos utilizadores-chave.
- Boa análise inicial.
- Modelo de dados bem desenhado.
- Processos bem definidos.
- Formação adequada.
- Acompanhamento após go-live.
Sem estes elementos, mesmo uma plataforma poderosa pode não gerar todo o seu valor.
17.18. Erros comuns a evitar
- Começar pela configuração antes da análise.
- Criar entidades sem modelo relacional claro.
- Duplicar dados entre módulos.
- Copiar processos antigos sem melhoria.
- Criar dashboards sem objetivo.
- Subestimar formação.
- Ignorar a gestão da mudança.
- Migrar dados sem limpeza.
- Automatizar processos mal definidos.
- Não acompanhar o cliente após o go-live.
17.19. Conclusão do capítulo
A metodologia de implementação é o que transforma a MASTERINSOFT® numa solução de sucesso.
A plataforma oferece a capacidade.
O método garante o resultado.
Uma boa implementação deve sempre seguir esta lógica:
Compreender → Modelar → Configurar → Validar → Formar → Acompanhar
17.20. Mensagem-chave para Master Partners
Um Master Partner não implementa apenas tecnologia.
Implementa uma nova forma de trabalhar.
A qualidade da implementação determina o valor que o cliente vai obter da MASTERINSOFT®.


